+ sobre a oficina


O Ator Autor

Se o ator é um autor, como ele escreve uma história?
O conteúdo altera a performance do ator?
A performance do ator traz em si um conteúdo?

Tais indagações nortearão as reflexões nos encontros da oficina.

Para balizar as experimentações serão utilizados dois contos literários: Barba azul de Perrault e Eu Mereço de edyr Augusto.
O experimento consistirá em contrapor essas duas narrativas díspares: uma da tradição popular, e outra uma narrativa contemporânea.

A cena dos atores

O experimento tem como princípio o exercício da fabulação (narração fantasiosa e romanceada de fatos ou eventos), partindo do conceito do “ator-rapsodo” (o termo rapsodo vem do grego rhaptien, literalmente “costurar”).
Sendo esse o ponto de partida para a criação dramatúrgica da cena, serão estudados os seguintes tópicos:

O corpo enquanto instrumento de composição
Os gestos arquetípicos
Lógicas da ação física
Os espaços intracênico (o microcosmo) e extracênico (o macrocosmo)
Utilização de memórias e histórias pessoais
Recolhimento de materiais através de observação de situações e de pessoas diversas


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As narrativas

Contos da Mãe Gansa (Histórias da Caronchinha)

Contes de Ma Mère l'Oye é o nome em francês dos Contos da Mãe Gansa publicados em 1697. A obra constitui-se de uma compilação de 10 contos populares.
A figura da Mãe Gansa demonstra a aproximação de Perrault com as narrativas populares. Mãe Gansa, numa ilustração da edição original, assemelha-se a uma velha fiandeira que conta histórias. Imortaliza-se, assim, este símbolo no mundo literário. 

Um Sol Para Cada Um

Um sol para cada um é uma coletânea de contos escritos por Edyr Augusto Proença, publicado em 2008.  “São trinta e seis narrativas curtas cujo refrão é: não há nada de novo sob o sol, o homem é o lobo do homem... Pará. Belém. Mosqueiro. São lugares ensolarados bastante freqüentes nesses contos. Lugares familiares subitamente tornados perversos, bizarros, graças ao estilo expressionista e fumegante de Edyr Augusto” (Nelson de Oliveira).
Para a oficina
O conto de fadas tem características, e Perrault usa ainda alguns elementos dos contos maravilhosos, como no caso de Barba azul; A estrutura narrativa, e as características simbólicas das figuras/personagens serão balizas para abordar tal material ao longo da oficina.
Já a narrativa de Edyr é difícil balizar. Aqui a abordagem será pela linguagem própria do autor, e as referências que alimentam sua literatura.
Se Perrault utiliza-se da figura da fiandeira para contar as histórias, desse imaginário ouvido ao redor das fogueiras, Edyr deixa as próprias personagens narrarem suas histórias, num jogo narrativo entre o autor, as personagens e o leitor.